Conferência Gartner CIO & IT Executive 2026: por que preparar as pessoas virou parte da estratégia de IA

Por Rodolfo Macedo, com apoio de Rodrigo Ferreira, CTO da Smarthis
A Smarthis esteve na Gartner CIO & IT Executive Conference 2026, em São Paulo, e um dos destaques do evento foi uma palestra sobre a prontidão das pessoas para aplicações de Inteligência Artificial. Rodolfo Macedo, Managing Partner, participou da sessão e traz a seguir o recap dos principais pontos apresentados.
A Inteligência Artificial já está presente na agenda de praticamente todas as grandes empresas. Copilotos, agentes, automações inteligentes e ferramentas generativas avançam rapidamente, enquanto novos casos de uso surgem em diferentes áreas do negócio.
Mas existe uma diferença importante entre ter acesso à IA e estar preparado para extrair valor dela.
Esse foi um dos principais pontos de uma palestra do Gartner sobre a prontidão dos usuários para aplicações inteligentes. Os dados apresentados mostram um descompasso relevante entre diferentes perfis profissionais: trabalhadores de TI aparecem como os mais preparados para utilizar IA, enquanto esse nível de prontidão diminui entre profissionais mais distantes da tecnologia. Entre trabalhadores fora de TI, a probabilidade de estarem preparados para extrair valor da IA é quase duas vezes menor.
A questão, portanto, não é apenas quais modelos, plataformas ou ferramentas uma empresa pretende adotar. É também se as pessoas que utilizarão essas tecnologias estão preparadas para trabalhar com elas.
O CIO precisa assumir um papel maior na adoção
Quando se fala em preparar pessoas para uma transformação, é comum imaginar que essa responsabilidade pertence principalmente às áreas de RH, treinamento ou às próprias lideranças de negócio.
Os dados apresentados pelo Gartner indicam, porém, que a tecnologia tem um papel especialmente relevante nessa jornada.
Apenas 38% dos CIOs e líderes seniores de TI pesquisados apontaram o enablement da força de trabalho como uma responsabilidade liderada pelo CIO. Para a maioria, essa responsabilidade é compartilhada com outros líderes ou conduzida por outras áreas.
Ao mesmo tempo, os resultados mostram uma diferença importante nas organizações em que TI assume maior protagonismo. Quando o esforço de preparação para IA é liderado pela tecnologia, a percepção de que a força de trabalho está pronta para utilizar IA passa de 29% para 54%.
Isso não significa transformar a adoção de IA em responsabilidade exclusiva de TI. Pelo contrário: a transformação depende da participação de negócio, RH, lideranças e usuários. O papel da tecnologia é atuar como habilitadora da mudança, ajudando a organização a identificar ferramentas, casos de uso, riscos e novas formas de trabalho.
A partir daí, quatro temas se tornam especialmente importantes.
1. O medo de que a IA substitua pessoas
Uma das primeiras barreiras para adoção de IA não é tecnológica, mas humana. Segundo uma pesquisa apresentada pelo Gartner, 17% dos trabalhadores acreditam que a IA poderia substituir seus empregos hoje, enquanto outros 21% enxergam essa possibilidade nos próximos cinco anos.
Esse receio pode gerar resistência e reduzir a disposição para experimentar novas formas de trabalho. Por isso, a discussão precisa sair da lógica de pessoas versus IA e avançar para a combinação entre capacidades humanas e tecnologia, identificando onde a IA complementa o trabalho, onde automatiza tarefas e onde a participação humana continua essencial.
2. O sucesso com IA é coletivo
Embora TI tenha um papel importante na liderança da adoção, a transformação não acontece dentro de uma única área. Negócio, tecnologia, RH, lideranças e usuários precisam participar da construção de novos processos e formas de trabalho. Essa é a lógica resumida na palestra como "AI Success is a Team Sport".
Isso também amplia a discussão sobre capacitação. Mais do que aprender uma ferramenta ou escrever prompts, trabalhar com IA exige desenvolver pensamento crítico, tomada de decisão e capacidade de avaliar os resultados produzidos pela tecnologia.
3. Pessoas diferentes precisam de abordagens diferentes
A adoção de IA não acontece da mesma forma para todos. Algumas pessoas rapidamente incorporam novas ferramentas, outras precisam desenvolver habilidades e existem também aquelas que apresentam maior resistência.
Por isso, programas de adoção e capacitação precisam considerar os diferentes perfis da organização. A recomendação apresentada é fortalecer quem já pode atuar como patrocinador da mudança e criar abordagens específicas para os grupos que ainda podem ser mobilizados, em vez de aplicar uma única estratégia para todos.
4. Novos problemas exigem novos controles
A IA também traz novos desafios. Um deles é o AI slop: a produção em escala de conteúdos aparentemente bons, mas que podem ser superficiais, incorretos ou simplesmente aceitos sem validação. Quanto mais fácil se torna gerar uma resposta, mais importante se torna avaliar sua qualidade.
Ao mesmo tempo, governança não pode significar bloquear a experimentação. Controles excessivos podem incentivar o Shadow AI, enquanto pouca governança aumenta riscos relacionados a dados, decisões e reputação. O desafio está em estabelecer guardrails claros sem impedir que as pessoas experimentem e descubram novas aplicações para a tecnologia.
Preparar a tecnologia é apenas parte da jornada
A evolução da Inteligência Artificial continuará acelerando. Modelos mais capazes, agentes mais autônomos e novas aplicações seguirão ampliando as possibilidades dentro das empresas.
Mas a capacidade de capturar esse valor não dependerá apenas da tecnologia escolhida.
Será necessário preparar as pessoas, desenvolver novas competências, adaptar a comunicação, entender os diferentes perfis da organização e criar mecanismos de governança que protejam a empresa sem impedir a inovação.
A mensagem final da palestra sintetiza bem esse desafio: amadurecer apenas as escolhas tecnológicas não é suficiente. O elemento humano precisa evoluir junto com elas.
Para as empresas, a próxima etapa da jornada de IA não é apenas descobrir onde aplicar a tecnologia, mas construir uma organização preparada para trabalhar com ela.
Preparar as pessoas para IA exige mais do que escolher ferramentas: exige um plano de adoção que considere diferentes perfis, capacitação prática e governança que não trave a experimentação. Fale com um especialista da Smarthis para estruturar essa jornada na sua empresa.





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